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DESPERTAR

Na névoa espessa e branca em que lamento,
Elevo a mesma prece, inflamo e suo.
Almejo não ter fim, me lanço ao vento,
Adianto um passo a Deus, então recuo.

No templo de uma infância onipresente
Existo na procura e na distância,
O tempo é o meu lampejo consciente
Que agora já se foi, virou lembrança.

É indócil meu destino em quase tudo:
Se busco a voz do sonho, fico mudo,
E temo que este instante seja o inferno.

Mas como ignorar o meu cansaço,
Se a brisa é um ponto em vácuo pelo espaço
No medo visceral de ser eterno?

Emerson Batista

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