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PASSAMENTO

Agora que o presente se dilui
Num misto de cansaço e de distância,
Quem vai saber ao certo quando fui
Presente neste mundo ou na lembrança?

Pois antes que este espaço vire ausência
De alguém, ou de mim mesmo, ou primaveras,
Eu sinto ainda o gosto desta essência,
Das horas desiguais e das esperas.

Ao longe, vêm singrando o rio do nada
Os sonhos desde a infância até a jornada
Que agora neste pôr-do-sol se encerra.

Depois é o pensamento luminoso
Que eleva o sol na paz do seu repouso
Às brumas de outros tempos e outras eras.

Emerson Batista

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