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ACALANTO



Em brumas de acalanto me disperso
Qual nuvem de presságios arredios.
Em vez de despedir-me, digo um verso
Às ninfas que me servem calafrios.

Por isso, quase sempre me aquieto
E nunca reverbero o som da dor:
As brumas vêm do sonho predileto
E o vento lhes afasta o sofredor.

Às sendas sinuosas me ofereço
E sigo nas palavras o começo
Do texto que meu fim dará início.

E sinto que, no fundo, alguém descreve
Lembranças de uma vida que não teve
Enquanto joga ao vento o seu resquício...

Emerson Batista

3 comentários:

Rúbida Rosa disse...

lindo soneto, parabéns!

Vampira Dea disse...

Lendo, me senti uma sacerdotiza antiga,sem meso de ser perseguida, nas brumas da Europa, beijos.

Maria Maria disse...

Sinto-me acalantada com esse poema. Lindo!!!!!!!!! Beijos

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