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ALMA


Andarilho das almas,
vagueio entre amores,
disperso como o vento ameno
quase um suspiro nos lábios umedecidos.

Levado por essa ânsia de sentir-me
desprovido de caminhos como as estrelas
descubro-me assim no meio fio do céu,
na gelidez e dureza de um passo vão.

Quebrado em mil pedaços, reflito sonhos no olhar,
digo amém às preces dos outros
e fujo sempre, sempre e sempre,
como se devorasse o espaço e a distância
com meus passos de moleque avesso.

Crescem flores, em mim,
eu deixo as flechas de luzes me ferirem no coração da sombra,
sou brisa, sou casa, armadilha,
jardim semeado aguardando a chuva,
um ego ferido esperando ajuda,
um sol sangrando no poente.



(poema de outubro de 1997)

Emerson Batista

3 comentários:

Teia de Textos disse...

Nossa, Emerson. Acho que sempre me impressiono tanto com seus sonetos que nunca tinha me dado conta de como são lindas as metáforas dessa poesia! Senti um gelo no estômago ao ler! Um arrepio n'alma, se é que isso é possível... as imagens da poesia são muito fortes, nem precisava da ilustração (maravilhosa) que você postou... meu Deus, eu ainda fico sem ar ao ler o que vc escreve mesmo lendo-o há tanto tempo... isso acontece quando leio alguns autores: Gabriel Garcia Marques, Machado, Emily Brönte e entre outros, você.
Entenda que não tem a vez com meus sentimentos pela pessoa Emerson.
O negócio é com o seu texto. A sua poesia.
Sim, meu caro. Você tem a tara! *rememorando Thiago de Melo.
Beijos emocionados e encantados, esvaidos em toda minha admiração.

Vampira Dea disse...

Vou perguntar de novo: E o livro, quando sai?
Aqui é um espaço lindo.

Vampira Dea disse...

Vc canta demais!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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